Não é, pois, nosso intento percorrer minuciosamente estes immensos arsenaes da arte, detendo-nos ante cada obra-prima que se apresenta aos avidos olhos do viajante enthusiasta.

Os nossos amigos dedicaram os dias a vêr os museus, as bibliothecas e as egrejas. Para as noites ou assistiriam aos espectaculos, ou passeariam nos jardins, aspirando os perfumes.

A segunda noite da sua estada em Florença, Amparo passeava no jardim com Ernesto, quando lhe chegaram aos ouvidos as melodiosas notas de um orgão expressivo, tocado com tanto gôsto como mestria. Detiveram-se e ouviram com a religiosidade dos amantes de musica.

No dia seguinte Amparo perguntou ao senhor Rosales quem tocava o orgão.

—O senhor conde de Loreto. É um grande musico.

Desde então Amparo abriu algumas noites a janella para ouvir o orgão

Um dia D. Ventura deteve-se deante da celebre mula negra do palacio Pitti.

—Isto será um capricho de algum celebre esculptor? perguntou.

—Isto é a vergonha de um nobre tão ingrato como parvo, respondeu Ernesto.

—Temos outra historia como a da Niobe?