O rico commerciante passava com ligeireza por todas aquellas obras de merito. Para elle não tinham a importancia que lhe attribuiam; e do fundo do coração dizia que os artistas eram uns pobres loucos que viviam de illusões, exaggerando tudo.
Ernesto e Amparo entretanto tiravam um desenho do grupo: e tão embebidos estavam no seu trabalho que não repararam que um rapaz elegantemente vestido, de correctas feições e maneiras distinctas, se deteve a poucos passos d'elles, e tomando das mãos de um creado que o seguiu o carnet de desenhos, começou a tirar uma copia da celebre esculptura de Scopas.
Chamava-se Fernando de Villar, Conde de Loreto.
Quando Amparo desviou os olhos do papel onde desenhava viu o conde, e este cumprimentou-a com um ligeiro movimento de cabeça. Ernesto cumprimentou-o mas com uma certa frieza que demonstrava o desgosto que lhe causava a presença d'aquelle homem.
Ao sair da sala de Niobe, D. Ventura disse:
—Viram o conde de Loreto?
—Era o joven que desenhava proximo de nós? perguntou Amparo.{36}
—Sim. Occupa o andar por cima de nós.
E deixando a conversação continuaram visitando o palacio.
O rico museu dos Médicis, contem dezenove galerias.