—Não, respondeu, esforçando-se por se rir.

—Mas o que é? disse Amparo.

—O meu jockey que está doente e que não póde correr.

—É verdade que é um contratempo. Mas não se encontrará outro?

—Outro? exclamou o conde assombrado. E quem me responde pela sua habilidade, pelos seus dotes, pela boa fé de um jockey alugado? Todos os leões de Paris, todos os afficionados de equitação, que não são poucos, que frequentam á noite a Maison Dorée e á tarde o boulevard dos Italianos conhecem Rabeca e têem grande interesse em que fique vencida; e seriam capazes de comprar o jockey que n'ella corrresse, para que a sopeasse e perdesse. Demais isso é sériamente grave para mim. Se não corre a minha Rabeca perco cinco ou seis mil francos que apostei a noite passada com um lord que traz tambem um dos seus cavallos para a corrida de hoje. A aposta está feita com as seguintes condições: «Se por qualquer casualidade um dos cavallos não puder correr dá-se por perdida a aposta.» É preciso portanto que Rabeca corra, e por isso venho dizer-lhes que não os posso acompanhar, pois que sou eu quem a vae correr.

—O senhor? disseram ao mesmo tempo pae e filha.

—Sim, eu. Sei que é uma desvantagem para mim. O jockey do meu adversario pesa escassamente tres arrobas: é um liliputiano, um homem em miniatura, é o rei dos jockeys, emquanto eu péso muito mais. Mas não quer dizer nada: a minha egua fará um esforço e vencerá.

—Permitta-me que lhe diga, disse D. Ventura, que se expõe...

—Isso é o menos. Quando chegar á terceira volta, saltarei já affoitamente. Tenho confiança na egua.

E o conde, depois de algumas respostas dadas aos argumentos que lhe apresentavam os seus amigos, sahiu, despedindo-se d'elles.