N'este momento Amparo estava só. D. Ventura sahira, depois de lhe contar tudo quanto sabia referente ao desafio do conde.
Tocava, pois, piano, pensando no seu companheiro de viagem, quando ouviu passos atraz de si; voltou a cabeça, e encontrou-se com Fernando que lhe dirigiu um cumprimento respeitoso e um sorriso cheio de tristeza.{78}
—Bôas noites, senhora D. Amparo. Talvez a venha incommodar, disse o conde.
—Incommodar-me? respondeu ella, parando de tocar. Pelo contrario. Bem vê que estou só... Meu pae é um valdevinos; abandona-me e então o piano é o meu recurso. Mas que tem? Está mais pallido que de costume, e noto-lhe uma expressão de tristeza na physionomia.
—Suppunha que não ignorava a desgraça que me succedeu hoje, e venho despedir-me.
—Como? abandona Paris?
—Ámanhã.
—Tão depressa.
—Pensava passar aqui alguns mezes, mas agora é-me impossivel; necessito vêr outro sol, respirar outro ar.
—E para onde vae?