—Está bem.
Fernando del Villar exhalou um suspiro e sahiu do quarto dirigindo-se ao de Amparo.{77}
[CAPITULO XII]
Como se pede
O piano é um grande recurso para aquelles que possuem e sentem na alma as doces e gratas impressões da musica, essa linguagem universal a que renderam tributo até os proprios deuses.
Amparo estava tocando. Tinha na estante a partitura da Estrangeira, mas os dedos percorriam machinalmente o teclado, e os olhos fixavam-se distrahidamente nas notas.
A musica para ella n'aquelle momento não era mais do que um grato ruido, adormecedor, como o sussurro cadencioso de uma fonte que convida á meditação.
Não pensava quasi nada no piano, muito pouco na partitura que tinha ante si, mas muito no conde de Loreto.
De Florença a Paris, isto é, trinta e seis horas de comboio, foram sufficientes para a formosa hespanhola se enamorar.
Antes d'esta viagem a casualidade collocára, ainda que momentaneamente, no palacio de Médicis, Fernando e Amparo; depois em Paris as corridas de cavallos e o duello reforçaram a ideia fixa que começava a dominál-a.