«Perdão!» exclamou ella, recahindo de joelhos.
—E tu, Fanny, calcaste aos pés este respeito, este amor incomparavel, este coração...
«Piedade!
—Recalcaste-me como a féra impassivel que esmagou com as garras as primeiras flôres do campo. E agora... aqui me tens sem futuro, como um desgraçado que não pode amar alguem, como o ancião, que viu em roda de si, morrerem todos os seus. Tudo feneceu, tudo apodreceu em meu coração. Estou velho! tenho cem annos! vou morrer!{154} sou um sepulchro! Tu sabes de mais que estou sósinho no mundo...
«Piedade! perdão!—exclamou Fanny, indo hallucinada, esbarrar nos moveis e nas paredes.—Não me digas que és desgraçado!
—Oh! desgraçado! e não digo bem o que sou. A lingua não tem voz que o diga.
Ingrata! Não te bastava ser senhora da minha alma, do meu coração, da minha vida; vens ainda tirar-me o que eu mais amava no mundo... a estima de ti... que me era mais que tu mesma!
«Piedade! piedade!»—continuava ella exclamando.
—Assassinaste-me a mocidade. Pois bem! ouxalá que nunca soffras o que eu estou soffrendo... Adoro-te, e horrorisas-me!
Dito isto, quiz feril-a e abraçal-a ao mesmo tempo; mas cahi desfallecido: e, por noite, quando abri os olhos, e a procurei no quarto ás apalpadellas, não a encontrei.