—E esta! exclamou ela com voz masculina.
—Quem mora ali? perguntou o pintor.
A senhora Poussignol arregalou os olhos na direcção que lhe indicava o dedo do seu cliente, aspirou uma pitada de rapé, e brandiu a vassoura com gesto feroz.
—Aquilo?... disse ela, não é coisa que preste!
André sentiu-se assomado de violenta indignação.
Conteve-se todavia, e montando a cavalo sobre a sua caranguejola de cadeiras, pediu à porteira que continuasse.
—Dois quartos para a traseira, prosseguiu a senhora Poussignol... uma mobília de cinco soldos... e duzentos francos de aluguer, compreendendo a luz... Eis-aí está!
—E ela? interrogou André.
—Ela!... O locatário chama-se Germinal. É um empregado reformado, um velho avarento, um pelintra, um unhas de fome, que se enforcaria por um soldo, e que nem é capaz de largar seis liards pelas festas do ano!
—E ela? repetiu André.