—Sou doido por castanhas!
A porta fechou-se.
André Sauvain ficou um momento como esmagado pela enorme ventura, que a Providencia lhe enviava; depois saltou para o meio do atelier, executando a capricho uma sarabanda furiosa, delirante, como de outra igual não há memoria!
Pelo que respeita à senhora Poussignol, apenas teve forças para repetir: «Ora essa!»
Paralisada pelo excesso de espanto, deixou-se cair com todo o seu peso sobre a caixa das tintas, derramando algumas.{32}
[VI]
Que fada haveria tocado o senhor Germinal com a sua magica varinha? Por que prodígio aquele misantropo, que durante onze anos não se aventurara fora de casa, com medo de encontrar o oval de qualquer dos seus semelhantes, vinha agora convidar um desconhecido para festejar com ele o aniversario do Natal!
O pintor não se inquietou com esse enigma. Contentou-se com ser feliz.
Às oito horas em ponto, agitou, não sem sobressalto, o fio de ferro que correspondia à campainha do seu amável vizinho.
André tinha tido o cuidado de aformosear-se. Escovara o fato e vestira roupa lavada; contudo sentia-se pouco à vontade. Quando Rosa olhou para ele, fez-se tão branco como a própria camisa, e pela primeira{33} vez deplorou o comprimento dos seus braços e pernas, das quais não sabia o que fizesse.