—Um dote?... eu! exclamou Rosa, incrédula.
—Isso pouco me importa, disse André, o essencial para mim...
—Pelo contrario, deve importar-lhe muito; sem dote, não consentiria eu que casasse com minha filha. Dou-lha... com noventa e dois mil francos.
Desta feita, o susto sufocou Rosa e André. Pareceu-lhes palpável que o senhor Germinal trilhava o caminho que conduz a Charenton[[2]].
Mas o velho, sempre sério, tirou convulsivamente do bolso um grande maço de notas de banco, folheou-o{49} perante os olhares atónitos dos dois namorados, e repetiu, acentuando cada silaba: «Noventa e dois mil francos!» Tome lá, meu genro!{50}
[IX]
Sauvain abriu desmesuradamente os olhos. Tantos valores nas mãos do senhor Germinal, cuja miséria igualava a de Job!... O caso era de natureza a inspirar suposições extravagantes: até Rosa se inquietou.
—Como assim, meu pai! disse ela, tudo isso lhe pertence?
—Pertence-te a ti; pois que to dou.
—E de onde lhe veio tanta riqueza?