A fronte do velho enrugou-se; até aquele momento desenvolvera insólito desembaraço, mas a esta pergunta de sua filha, reapareceram o seu constrangimento anterior, o seu balbuciar e timidez habituais.

—De onde me veio este dinheiro!... retorquiu ele; queres sabe-lo?

—Certamente!...{51}

—Das minhas economias.

—Economias!... quando cem vezes nos tem faltado o necessário!... quando não era raro ignorarmos na véspera se jantaríamos no dia seguinte!

—Minha filha, é bom sofrer no presente para assegurar o futuro.

—Economias!... quando o pai, estando doente, ia morrendo por falta de remédios e de dinheiro para os comprar!

—Sou avarento!... balbuciou o senhor Germinal, evidentemente constrangido.

—Talvez... Mas explique-me por favor, meu pai, como pôde poupar perto de cem mil francos, dos seus seiscentos francos de ordenado?

—Há muito tempo que comecei, disse o velho enxugando o crânio; os pequenos regatos tornam-se em rios, os soldos transformam-se em francos, e os francos em notas do banco.