—Senhor, disse ele, todas as suas respostas combinam com os documentos que possuo, mas desculpar-me-á se exijo provas mais palpáveis da sua identidade...
—Ora essa! disse o provençal; é muito justo. Felizmente trago sempre comigo os meus papeis, visto não ter domicilio certo, nem fechadura segura...
E dizendo isto, a mão do aventureiro mergulhou no andrajoso casaco e reapareceu à superfície, carregada com uma carteira grande e sebenta.
Logo que para ela lançou os olhos, o senhor Germinal ficou inteiramente convencido. Aquela carteira era irmã gémea de outra, que por tanto tempo namorara! o mesmo feitio, as mesmas dimensões, e os mesmos caracteres, outrora dourados, indicando o nome do seu proprietário: Pedro Toucard.
—Aqui tem, em primeiro lugar, a minha certidão de baptismo, disse o provençal; eis aqui, também, diferentes passaportes; e enfim, duas cartas de Onésimo... Conhece-lhe a letra?
—Conheço, respondeu o senhor Germinal, examinando as duas missivas.
Eram curtas; tratavam unicamente de negócios e tinham a assinatura de Onésimo Toucard. Ambas as cartas começavam por estas palavras: «Meu querido irmão...»
O pai de Rosa abriu uma gaveta, tirou de dentro a carteira do morto, e comparou a letra dos{90} apontamentos com a das cartas. Não podia conservar a sombra de uma dúvida.
—Senhor, disse ele ao provençal, cujos olhares impacientes revistavam todo o quarto, como procurando descobrir onde se escondia a herança, reconheço-o por irmão e herdeiro de Onésimo Toucard. Só me resta...
—Entregar-me a herança, interrompeu Pedro, ofegante. Desencante-a pois... meu bravo!