—Agora, disse o velho suspirando, vou entregar-lhe os valores do defunto.

E, proferindo estas palavras, tirou do bolso as notas do banco e depô-las sobre a mesa, uma por uma.

A cada macete de dez mil francos, o rosto de Pedro coloria-se um pouco mais.

—Noventa e dois mil francos! exclamou ele afinal, ébrio de alegria. Viva a França! e vamos à Bolsa! Com a breca! farão bem em ter cuidado comigo, lá na Bolsa!... Se, daqui a seis meses, não possuir dois milhões, consinto em que me enforquem!

O senhor Germinal ficou impassível e pensativo ante aquela exuberância de júbilo. Para ele estava consumado o sacrifício...

Pedro bateu-lhe no ombro.

—Não lhe farei a injuria, disse ele maliciosamente, de oferecer-lhe uma recompensa...

O senhor Germinal abanou a cabeça.

—Tanto mais, continuou o manhoso velho, que os interesses deste capital devem ter produzido uma continha menos má...

—Os interesses!... observou o pai de Rosa; que quer dizer com isso? Estes valores são os próprios que recebi em depósito; não saíram de minha casa!{92}