—Ora vamos!... vamos! continuou Toucard; que não haja, sobre queda, coice! O enguiço triunfa{139} hoje, de acordo! mas eu sou um espertalhão, bem o sabe... Dentro em pouco tirarei a desforra, e reembolsa-lo-hei então do capital e juros. Quer que lhe assine uma obrigação de cem mil francos, pagável na minha primeira veia de fortuna?

André ergueu-se bruscamente, deixando ver o rosto afogueado e banhado em pranto.

—Fora daqui, miserável! exclamou ele. Não tente a minha desesperação com as suas covardes zombarias!... Saia!

—Não estou zombando, disse o provençal; e juro-lhe pela minha honra...

—Pela sua honra!... interrompeu amargamente o pintor.

—Seja pelo que for... Enfim... juro-lhe que o meu desejo mais veemente seria vê-lo rico e satisfeito.

—E por isso me roubou o meu património, não é assim?

—Que diabo posso eu dizer-lhe? As notas do banco já estavam no meu bolso, agarravam-se a mim e gritavam-me: «Leva-nos! Foi, graças a ti, que Onésimo nos ganhou; portanto... pertencemos-te um pouco!... Leva-nos, Pedro, e quintuplicar-nos-ás... decuplicar-nos-ás! André, Rosa, toda a família será feliz, e isso devido a ti... Leva-nos!»... Com a breca, levei-as!... Se esta explicação{140} lhe não basta, pegue numa pistola, e abra-me a cabeça; até me faz favor!... Ou então... arraste-me ao banco dos réus, para que me condenem às galés.

André, silencioso, envolveu o aventureiro num longo olhar de tédio.

—Não, replicou por fim. Não me esqueço de que foi amigo de meu pai; não me esqueço desta carta... a única acção honesta da sua vida! Não me vingarei, senhor mas, pelo amor de Deus, retire-se!