Apesar da sua casca grossa, Pedro Toucard sentia-se enternecido.

Dirigiu-se lentamente para a porta; depois parou, torceu a barba, reflectiu, e inclinando-se para André, que lhe voltava as costas, murmurou:

—Senhor Sauvain...

—Ainda aqui! exclamou o pintor.

—Antes de ir-me embora, quero que saiba, se isto pode servir-lhe de consolação, que o céu se encarregou de castigar-me. Estou mais miserável, senhor André, do que no dia em que me fez a esmola... que tão pouco lhe aproveitou! Numa palavra, morro de fome; e como me repugna mendigar, vou direito daqui lançar-me ao rio. Adeus!

—Espere!... disse Sauvain.

E puxando da bolsa, despejou-a sobre a mesa.

—Leve isso.{141}

—Eu!...

—Arrecade isso, já lho disse, e vá-se embora. É em memoria de minha mãe, a quem tentou prestar um serviço. Eu... de nada preciso já.