Desconfiados, precipitaram-se fr. Angelico e o morgado, ao tempo que Maria devorava as quatro palavras de João.

—Dê-me essa carta, senhora!—bradou o frade, que chegára primeiro.

Sem responder, amarrotou o papel, e com elle fechado na mão, voltou-lhe as costas n'um olhar de desprezo, e afastou-se de braço com a prima.

Deteve-a o pae, exigindo-lhe o bilhete, que Josepha já occultára no seio, e Maria respondeu que nada tinha.

—Vi-lh'a eu, senhor, a carta d'esse hereje, d'esse pedreiro livre, que para deshonra de V. Ex.a perdeu a alma da senhora D. Maria!

E fr. Angelico apoiou a denuncia agarrando-lhe a mão em que a amarrotára.

Soltou-se ella violentamente, e o frade, cambaleando com a sacudidela de Maria e um indignado empurrão de Josepha, caíu contra um renque de vasos, esfarrapando-se e partindo-os.

Então o pae cresceu para ella:

—A menina estava esperando um homem, a quem eu repelli da minha porta. Além de me desobedecer, offendeu-me agora, resistindo a uma ordem minha. Repare bem, sou eu quem lh'o exijo! Dê-me a carta.

—Não tenho carta nenhuma, senhor. Deixe-me passar.