—Isso é que não. Iria escondel-a.

E detendo-a:

—Dê-me esse papel ao bem, ou arrepende-se!

—Senhor, já lhe disse que não tenho. E se tivese não devia dal-o, nem o pae m'o devia pedir.

—Ah! Não tem? É o que vamos vêr.

E segurando-a, o morgado apalpou-lhe o corpete, rebuscou-lhe a algibeira da saia, apertando-lhe brutalmente os pulsos emquanto ella se debatia, e como tudo fosse inutil, atirou-a rudemente contra o muro.

—A menina ha-de ficar sabendo que não se zomba d'um pae, e não se emporcalha um nome fidalgo namorando soldados.

N'um choro convulso Maria bradava, caída na banqueta:

—O pae bateu-me! Mas foi a ultima vez. Está enganado commigo. Não quero ter a sorte da mãe!

E para Josepha da Esperança, que os dois levavam adiante de si, tratando-a de encobridora, de enredeadeira: