—Foi apresentada por uma fidalga, sua parenta, a sr.a D. Victoria, digna portanto de todo o credito.
—Ah! Espertezas da menina Josepha da Esperança! Essa namoradeira é outra que tal! Se eu lhe tivesse arrancado as orelhas não era ella que ia enredar-me...
—Vem dos mesmos illustres avós que v. ex.a, essa dama que maltrata. Mas não me pertence apreciar se o seu procedimento é ou não de fidalgo.
Fazia esforços fr. Angelico por conter Martinho.
O juiz dirigiu-se a elle:
—Queira vossa reverendissima aconselhar o seu amigo. É conveniente evitar aparatos incommodos. Não desejo chamar a minha gente para testemunhar o encarceramento da senhora D. Maria, o que redundaria n'um processo crime, com pena de cadeia. Basta-me que lhe possa falar livremente, e esquecerei tudo o que desagradavel se tem passado.
Arrastando-o para um canto, tentava o frade convencer o morgado, falando-lhe em voz baixa, acaloradamente mas, não conseguindo decidil-o a apresentar Maria, ainda pretendeu abrandar o juiz:
—Se é necessario o testemunho do ministro do Senhor, aqui estou eu prompto a jurar, pelo santo nome de Deus, que s. ex.a é incapaz de opprimir sua filha, sendo, pelo contrario, o modelo dos Paes.
Já enfadado, retorquiu-lhe o corregedor:
—Vá vossa reverendissima buscar a senhora D. Maria, ou obrigam-me a praticar uma violencia, em que tambem será envolvido.