Maria, olheirenta, emmagrecida, definhada pela vida tão differente que ali levava, fechada n'uma casa pequena, acostumada como estava a passar ao ar livre o dia inteiro, queixou-se, dominada por uma inconsolavel melancholia:
—João, desde que saí de casa só tenho chorado. Foi praga que me rogaram. Ha de ser a maldição do pae!
Em vão pretendia elle reagir contra o desanimo que tambem o ganhára:
—Não penses n'isso. Temos que passar por este tributo. A nossa felicidade fará esquecer estas horas amargas, e até teu pae se cançará da sua teima, e ha de abençoar-te e querer-te ditosa.
—Oh! O pae! Não o conheces bem. Mas ainda elle me queira sempre mal, paciencia. O que mais me custa é a mãe.
—Está costumada, não soffre tanto como tu.
—Deu-lhe volta ao juizo a minha saída, ficou a emprehender n'aquillo, e como lhe fechassem as portas atirou-se da janella abaixo para me vir vêr.
—Coitada.
—Tem estado á morte, e eu receio que morra sem a tornar a vêr.
Sobresaltou-se João: