—Isso sabia. Mas que fosse tanto, não; confesso!

Echoavam estrondos de catarrho. Descia elle, corrido, e ella voltava de olhos baixos, para ir ao ralo vêl-o sahir.

Então D. Victoria chamava pela filha, que era o mesmo que chamar por ella:

—Venha para dentro, menina, não seja janeleira, que não foi essa a sua creação. É uma maia, sempre impeirada á janela. Muito perdeu a menina em seu pae, Deus lhe fale n'alma, que a havia de sopear.

Meteram-se para dentro, fechou-se a casa, e no escuro da alcova o terror reconquistou Maria.

Queria desfazer-lhe Josepha a impressão das reprimendas da mãe:

—Não faças caso, é genio. Sempre assim foi, mas não julgues que te quer mal. Olha que foi ella quem, a meu pedido, requereu o teu deposito e fez a queixa.

—Antes o não fizesse.

—Porque? Não estás contente em minha casa? Ligas importancia a rabugices?

—Não é a tua casa, filha, é a minha situação que me afflige. Se soubesse que havia de estar tanto tempo á espera de edade, não saía de casa, não desgostava a mãe, não offendia o pae.