Que cobardia a sua! Abandonal-o quando se arriscava, envolvido em tudo aquillo por causa d'ella!

Dominava-a, porém, o pavoroso abandono da velha, e via-a como a creada a pintara, gaguejando, a cama por fazer, atulhada em cisco, envolvida em trapos! Desgraçada!

Na sua ingenuidade parecia-lhe assim melhor para todos. Imaginava uma grande scena de reconciliação, o pae abraçando-a quando se lhe deitasse aos pés a pedir perdão, e fr. Angelico abençoando-a em nome de Deus, limpando uma lagrima.

Agora não lhe parecia mau o frade, n'aquelle ar compungido.

E crendo possivel pôr tudo em bem, ainda esperava falar a João na propria quinta, e talvez, quem sabe, ganhar pouco a pouco, pela submissão, a boa vontade do pae, podendo ser que viesse a casar por consentimento d'elle.

Esfarrapava n'um momento a suave visão o echo dos gritos de Josepha, a lembrança das indignações de João quando soubera do desagravo de S. Francisco.

Sendo impossivel contentar a todos, limitar-se-ia ao que a levava ali, vêr a mãe, tranquilisar-se a respeito do seu estado.

Chegaram, e, como se já contassem com elles, ninguem appareceu.

Deixou-as o frade na casa de entrada, e foi em procura do morgado.

Recordou-se da cilada armada a João, dos maus tratos a que só a justiça a pudera arrancar, mas, longe de intimidar-se, sentiu que a emancipára a saída da casa paterna, dando-lhe a consciencia da propria individualidade.