Alarmou-a um grito da mãe, um grito de desespero, rouco, abafado pela porta, vindo do interior.
Ia accudir-lhe, mas conteve-a D. Victoria, e ella propria reconheceu então que perdera o direito de entrar como d'antes.
Appareceu o frade, mostrando-se confuso, transtornado, apparentando vir offegante como de uma grande discussão.
Repetiam-se os gritos de D. Perpetua e, como incommodado por elles, disse á pressa fr. Angelico:
—Accusou-me de desleal o senhor morgado por a ter introduzido aqui. Diz que a senhora só póde entrar n'esta casa como filha arrependida e submissa, e até sem esperança de um perdão, que só a sua conducta poderá merecer. E Deus me perdoe ter procurado semelhantes trabalhos por minhas mãos!
Teve Maria um impeto de voltar para traz, mas os gritos da mãe pregavam-a ao sobrado.
Fez-se luz no seu espirito, não duvidou que o frade fôra expressamente preparar-lhe aquella situação.
E n'um relance comparou a vida que levava em casa da prima, sem poder vêr João, senão vigiada. Era-lhe mais doloroso tel-o junto a si, sem poder desabafar.
Ali, tratando da mãe, parecer-lhe-ia menos penosa a espera.
Decidira-se em casa de Josepha, apesar das suas solicitações. Tinha por melhor esperar ali.