E respondeu gravemente ao frade que sim, que ficava de vez, desde que o pae não duvidava acceital-a.

Despedira-se, applaudindo-a, D. Victoria, desejosa de se vêr livre d'ella, e Maria, de olhos enxutos, cabeça erguida, caminhou após o frade em direcção ao seu quarto, aonde agora estava D. Perpetua.

Então fr. Angelico, retomando o ar de dominio de outros tempos, reprehendeu-a severamente:

—Lembre-se que a sua desobediencia trouxe a deshonra e a desgraça a esta casa, e que a doença de sua mãe é o justo castigo de Deus.

—Representou bem o seu papel—respondeu-lhe Maria—mas não julgue que me illudiu, nem creia que se ha-de rir de mim.

Abriu a porta, fechada por fóra, e tirou a chave. No leito soltava a mãe phrases incomprehensiveis.

Sabia que a esperavam, e os seus berros tinham sido para que não ficasse, para que não tornasse a caír nas mãos dos seus algozes.

O estado em que a viu fortaleceu Maria na consciencia do dever cumprido.

Vibrava o seu corpo fragil n'uma energia de ferro. Olhava para tudo como senhora, como morgada, e revoltava-a aquelle abandono.

Ia ao pae para reclamar um medico, e dar então ordem á casa.