Animava-o, porém, a confiança de que triumphasse a esquadra miguelista, desfazendo o castello de cartas do minusculo reino liberal.

Então recolhel-a-ia a um convento, até a levar para Lisboa, ou a casar com o primo, se ainda a podesse render pela clausura, ou a fazel-a professar.

Descançava Maria no banco do pomar, onde passava as tardes com João, pensando n'elle, quando uma creada a foi chamar:

—Venha vêr, menina, venha vêr que coisa tão linda. É a esquadra do senhor D. Miguel.

Subiu assustada ao mirante, e viu ao largo, no pégo do mar, vinda de oeste, a infinita linha dos navios, carregados de pannos, rebocando enfiadas de grandes barcos que, n'uma bordada ao sul da Terceira, tinham ido reunir ás ilhas de baixo para o desembarque. Rindo inconscientes, as creadas comparavam a resteas d'alhos a correntêza de lanchas.

Aterrava-a o grande poder, que ia talvez roubar-lhe para sempre o seu noivo, a sua ventura.

No torreão, munido de oculo, contava o morgado a nau, as fragatas, as corvetas, e considerava como positivo o triumpho dos seus.

Até ao pôr do sol viram-os sempre, parecendo fixos no mesmo ponto; mas ao romper da manhã, quando Maria os procurava inquieta, já não os avistou.

Por volta das onze horas começaram a ouvir-se estampidos muito distantes. Estava travado o combate, mas não era contra o castello, cujas muralhas se avistavam da quinta.

Só podia ser na villa da Praia, onde estava João!