E n'uma desesperada angustia figurava-se-lhe o horror de carnificinas, como a do Pico do Selleiro.
Ao começo da noite, encostada ao ralo, ouviu passar homens do trabalho, que vinham da cidade, falando alterados, decerto commentando as noticias da batalha.
Gritavam «viva a nau encalhada», mas essa phrase nada lhe fazia comprehender.
Chamou o pae um rancho, e perguntou-lhe o que se passára.
Responderam n'uma attitude hostil, repetindo os vivas, e um explicou que a nau D. João VI estava perdida.
—Isso póde lá ser, homem de Deus—contestou Martinho—Uma nau de tres pontes, que é a flôr da nossa marinha!
Insistiram, e accrescentaram:
—A nau encalhou, e os realistas foram todos pescados!
Afastaram se repetindo o grito de alegria «viva a nau encalhada!»
—Tinham vencido! É porque Deus os protegia—pensava ella—tão poucos, tão fracos, creanças como João, e os academicos que tinham ido para a villa! E elle? Saíria a salvo? Teria ficado ferido ou morto?