—Não é por lhe querer bem que pensas n'elle, não é verdade?
Maria titubeou:
—Apesar de me pretender enterrar em vida, apesar do que fez á mãe...
—Se elle tivesse vergonha nem voltava a esta terra, onde veiu deixar os ossos da desgraçada. Soube-se dos seus maus tratos, e todos lh'o levaram a mal, acredita. Olha que muitos que se dizem realistas, e o applaudem e a outros que taes, é só por medo d'essas viboras, que se vingam nos inermes, e fogem a sete pés dos que estão armados.
Maria abraçou-se a ella, chorando:
—Perdôe-me, D. Anna, mas como lhe hei de querer, se me tem tratado cruelmente, se torturou a desgraçadinha, se lançou João no horrôr da guerra...
—Deixa-o, filha, não penses mais n'elle. É como se tivesse morrido. E pede a Deus que ainda lhe possas pagar em caridade, nos seus ultimos dias, que os ha de ter bem negros!
—O mal que lhe desejo me venha a mim.
—Elle não pensa mais em ti, descança. Ha que tempos não me escreve, não me força a responder-lhe n'essas cartas em que te dou a caminho da profissão, n'uma vida de penitencia.
—Tem sido tão bôa para mim.