—Que mal que fizeste em resistir! Como desperdiçaste a mocidade. Em nome d'umas formulas vasias sacrificou-te, e a elle, o teu orgulho! E se te morrer? Que recordação te fica para evocares o breve tempo que não volta mais?

Insistira, ao vêl-a debulhar-se em lagrimas:

—Chora, desabafa, que deves sentir um mortal remorso; chora as duas vidas que despedaçaste, e convence-te de que nunca o amaste, porque o verdadeiro amor não raciocina, porque é a suprema lei da vida, tudo se lhe amolda, e elle não!

—Que hei-de fazer agora, senão professar—bradava ella, arrepelando-se.

—O teu orgulho ainda! Cala-te, vaidosa, que darias mais uma pessima freira. Vive para elle, é o teu dever.

—Para elle? E se morreu?

—Vive para a memoria d'elle, mas nunca a dentro d'um mosteiro, porque deves lembrar o mal que d'estas casas te adveiu.

—Então que hei-de fazer?

—Porque não pensaste em fugir d'aqui, em ires acudir-lhe, pôr-te á sua cabeceira, tratal-o, acarinhal-o, cerrar-lhe os olhos se Deus o levar, como fazem as fortes mulheres que estão velando o leito d'outros feridos, as que não desampararam os maridos na retirada e na emigração?

E como ella a olhasse como pasmada: