Maria recuou attónita. Dava-se o que receiára. Tentava o pae reapossar-se d'ella.
—Aonde, senhor?—perguntou afflicta.
Fazendo-se forte no ultimo poder que lhe restava, retorquiu o morgado:
—Não aprendeu a ser obediente? Pois ainda está em edade de se tornar bem ensinada. Obedeça-me!
D. Anna falou n'uma voz grave:
—Senhor, não lhe basta o mal que tem causado? Não se dá por satisfeito?
Descarregou Martinho Vasques a colera que para ellas reservara, reduzido á impotencia pela convenção de Evora Monte:
—Que significam essas palavras, prima?
—Que felizmente já posso desabafar e dizer-lhe tudo o que sinto, sem receio de que Maria soffra por minha causa.
—A prima sempre foi uma doida!—explodiu elle—Vejo que fiz mal em confiar-lhe minha filha. Mas estou a tempo de emendar o erro.