Pensou ainda em manter-se incomprehendido, em calar essa revelação. Vinha muito tarde! Não o comprehendera em dois annos de intimidade, não ia agora corresponder-lhe de repente. Mas revoltou-o vêr accentuada a situação de dependente.

—Não ia ali por interesse—protestou.—Os seus deixaram-lhe alguma coisa. Tinha com quê. Era só por ella, para estar ao seu lado, que acceitava o sacrificio do escriptorio.

Impressionou-a a paixão com que falava.

Ainda em tom de gracejo, mas com a voz um tanto abafada, disse sem o fitar:

—Querem ver que te deu para me namorares?

Ficou olhando para a areia vermelha. E como elle permanecesse calado, insistiu, evitando-o sempre:

—Não respondes?

—Fica zangada commigo?—perguntou a medo.

—Não.

—Isso é que fica.