Ella virou-se de repente, e fitou-o com franqueza:
—Zangada porquê?
Intimidou-o essa expressão, que não comprehendia; mas era tarde para recuar. Muito envergonhado, rendeu-se:
—Pois é verdade.
Maria ergueu-se n'um riso forçado:
—Tu, namorado de mim? Tu, meu fedelho! Ora! Não sabes o que dizes.
Ia afastar-se, mas João supplicou:
—Já que me não ama, diga ao menos que me perdôa!
—Tens medo? Descança, não faço queixa ao pae?
—Não se ria de mim, quero-lhe muito, muito!—soluçou elle.—E quando soube que a pretendiam casar em Lisboa, chorei de desespero, porque me costumára a pensar que havia de ser minha mulher.