Não podia deprehendel-o das Gazetas, alheio como estava ha muitos dias ao movimento politico.

Mais aliviado de freguezes, veiu Fulgencio esclarecel-o:

—Sim, foi-se tudo por agua abaixo. Já o sabiamos desde o dia 5, mas a cara era a mesma, para que esses patifes dos miguelistas não se nos rissem nas barbas...

—E as noticias que o doutor Antonio da Silveira foi procurar ao Porto...

—Já nos deram a divisão liberal em retirada para a Galliza ... mas nós: moita, carrasco!

—Pois não poderam manter-se todas essas tropas da junta do Porto?

—Perdeu-os a sua ingenuidade! Tu bem sabes que nós não queremos sangue, nem alçadas, nem perseguições, nem confiscos. Paz e egualdade para todos! Eis como foram até cerca de Condeixa tres mil soldados liberaes, por assim dizer como chamariz a deserções. Mandaram-se proclamações para o campo inimigo, e ao alarme pela aproximação de uma força adversa romperam as bandas o hymno constitucional, para a arrastarem á adhesão. Contava-se vencer sem disparar um tiro, sem derramar o sangue de irmãos!

—Como em Vinte!—exclamou João enthusiasmado.

—Eram os principios! Mas as forças do Miguel, seis a oito mil homens, não quizeram «abraçar os irmãos d'armas», e atacaram na Cruz dos Moroiços, no momento em que todos os chefes, de major para cima, tinham ido assistir ao conselho militar em Coimbra. Foi a «acção dos capitães» e, como tal, as forças sem commando que reunisse os seus esforços, defenderam com valentia as posições occupadas, mas não limparam de inimigos o caminho de Lisboa. Depois o nosso general Refoios, receando que Povoas passasse o Mondego, ordenou a retirada para o Porto.

—E ahi?