—Não lhe chega aos calcanhares.

—Olha, o teu genio é que eu nunca hei de comprehender.

—Então, filha, são feitios. Cada um é como Nosso Senhor o fez. Mas ao menos eu confesso a minha fraqueza, gosto muito, muito, de um bonito rapaz, e não quero meter-me a freira. E as que dizem que lhe atiram com pedras, estão pregadas nos mirantes a vigial-os...

—Já lhe disse, prima, que não quero o João para namorado.

—Mas para que passa agora todas as tardes aqui, de alcateia...

—É que me irrita o procedimento d'elle. Dito e feito! Que nunca mais vinha, e nunca mais appareceu.

—E isso dá-lhe pena?

—Não. Mas exaspera-me pelo seu atrevimento. Queria vêl-o mais uma vez, descompol-o muito, dar-lhe muita bofetada, muita bofetada, puchar-lhe pelas orelhas, e depois dizer-lhe: «Põe-te fóra, fedelho, e vê lá para quem te atreves a levantar os olhos».

—Pois caiste, prima, e não foi sem tempo. Já não pódes passar sem elle.

—Não me diga isso, que até me mete raiva.