—Essas furias já passaram por mim.

—A prima é muito experiente.

—Pois sou, e por isso sinto que lhe estás nas mãos, ou nunca mais pensavas nas suas palavras.

Maria não lhe respondeu, e continuou a observar a estrada, na irritação em que ficára desde a saída de João.

N'uma crise nervosa passára os primeiros dias fechada no quarto, sem vêr ninguem, depois fatigara-se em pertinazes passeios ao longo das varandas de pedra, para cá e para lá, olhos fitos na direcção que elle costumava trazer.

Abandonada pelo pae, sem intimidade com a mãe, que passava o tempo na cozinha fazendo doces, ou em exercicios espirituaes com fr. Angelico, vira-se forçada a mandar chamar a prima Josepha, para ter com quem desabafar.

E apezar do que ella lhe dizia, não cuidava amar João. Nutria contra elle, ao contrario, um sentimento de hostilidade, de revolta. Sentia uma insurreição de todo o seu ser contra essa creança que de repente, sem lh'o ter deixado suspeitar, entendera dispôr absolutamente do seu futuro, querendo-a para sua mulher.

Continuava Maria amuada, ria á socapa Josepha da Esperança, quando passou o jardineiro, com um braçado de flores e a podôa na mão.

—Ora tenham muito bôas tardes, minhas meninas. Então já sabem a grande novidade? Vem cá hoje o nosso homensinho.

—Quem, tio Jacintho?—perguntou Josepha, para acirrar Maria.