Desembainhou a baioneta, aprumou-se garboso, e avançou muito pallido para a porta, que de dentro fecharam com estrondo.

Sentiu então Maria que o amava, vendo-o encarnar o typo glorioso, cavalheiresco, da imaginação das raparigas, geralmente fixado nos que teem por ferramenta a espada e a lança do cavalleiro andante de outras eras.

Dirigia-se-lhe com o coração nas mãos, como elle no pomar, n'um rubor de sangue, lavada em lagrimas, pondo as mãos:

—João, João, não te percas por minha causa!

Sem a attender, batia exasperado no portão com o punho da baioneta, bradando querer falar ao senhor Martinho Vasques.

Ouvindo ladrar ameaçadores os cães de guarda, virou-se Maria para o pateo.

Aos gritos de soccorro de D. Josepha, correra de dentro o jardineiro com um grosso varapau cruzado como a espingarda, a ponta á altura dos olhos, fortemente cingido ao corpo.

—Querem bater no Joãosinho!—explicou-lhe ao vêl-o.

Correu o veterano ao postigo, aferrolhou-o, e berrou aos caceteiros que se fossem embora.

—Quem manda aqui é o fidalgo!—respingou o quinteiro, fazendo-se forte á frente do bando.