E n'um risinho de triumpho:
—Tem mêdo cá do ginja! Pois não lhe comia nenhum bocado. Palavra que tenho pena, queria dizer-lhe duas verdades. E d'ahi, não. Aquillo não tem emenda. É falar ás paredes.
Ouvia-se rir, ao longe, Maria com a prima Josepha da Esperança.
—Ó aquella sim, tenho pena! Andei com ella ás cavallotas, quando me saltava nos canteiros atraz das borboletas, estragando-me as flôres, a traquinas.
Abrangeu a casa e a quinta n'um olhar de saudade:
—Cá fica, a pobre, para ter a sorte da mãe! Mas ella, que ri tanto, é porque não tem mêdo das parlapatices d'aquella bôa alma do pae. Faz bem rir, é uma creança!
E dando uma palmada irrespeitosa no ventre de fr. Angelico:
—Por mais ameaças que lhe faça, ha de o morgado ir adiante d'ella, é lei do mundo! Por mais intrigas que forge vossa reverendissima, tambem irá comer hervas pela raiz, e ella ha de cá ficar, e gostará de quem lhe der na veneta. Até eu, que não sou nenhum rato de sacristia, hei de ir á missa de costas, e ella ainda estará em edade de casar com o menino João.
—Vocemecê nada mais tem que fazer aqui. Está pago e satisfeito...
—Põe-me na rua? Não quer que me despeça da D. Mariquinhas? Pois é melhor para me não saltarem as lagrimas, e vossa reverendissima não se rir depois á minha custa, quando fôr á lambujem do alambique.