Echoava o trovão. Mas de repente
Ao vendaval succede-se a bonança,
O nevoeiro esvae-se lentamente,
A chuva pára, o oceano amansa;
O sol mostra seu disco reluzente,
Nos rostos pairam os sorrires d'esp'rança.
Lisboa 1891.
+AS ESTRELLAS+
Da minha alegre janella
Vejo uma nesga do ceo;
É noite serena, bella,
Espaireço o olhar meu,
A contemplar as estrellas
Que scintillam diamantinas,
Recorda-me sempre ao vel-as
Tuas graças peregrinas.
Que queres, pois se te não vejo,
Como outr'ora, na varanda
Trocando phrazes amantes?
Por isso mando-te um beijo
Na briza suave, branda,
Fitando os astros brilhantes.
Lisboa, 1891