No cemiterio alvejam mausoléos
De pedras rendilhadas e custosas;
Elegantes, guindados corucheos;
Epithaphios, legendas caprichosas.
Ali jazem os ricos. Nas pompozas
Inscripções se vae ler os nomes seus.
Em outras campas só se vêem rozas,
Goivos, martyrios, contemplando os ceos.
A jazida dos pobres. Trabalhando
Morreram e ali estão alimentando
A terra onde essas flôres se vão nutrir.
Em quanto os outros distraidos, futeis,
Viveram ociosos, sempre inuteis,
E nem sequer d'estrume vão servir!
Lisboa, 1891
+A PROSTITUTA+
A rua é miseravel, suja, estreita,
Como um terrivel antro criminoso,
E d'uma porta a prostituta espreita
O transeunte lubrico, cioso.
É repellente, quanto mais enfeita
O cabello postiço e unctuoso.
Teve illusões, quem sabe, hoje desfeita,
A graça d'esse rosto alvar oleoso,
Veio cahir n'aquelle lodaçal
Onde se espoja torpe, embriagada,
Até ir decompor-se no hospital
Se o amante que tem a desgraçada
Não lhe der caridoso, bestial,
O descanço pr'a sempre á navalhada.