Angra do Heroismo 1892

+A SAUDADE+

Era de tarde ao pôr do sol, a brisa
Vinha fagueira a remecher as flôres,
Iam velozes sobre a fronte liza
Do Tejo d'ouro de ideaes amores,

Ligeiros barcos, avesinhas mansas.
Desferidos em harpas geniaes,
Por virgens d'olhar meigo e loiras tranças,
Vinham threnos sublimes, ideaes.

O mundo todo pleno d'harmonia.
Eu, só, fitava a solidão do mar
Dominado d'ideal melancolia.

E que buscava então na immensidade?
É que me vinha fundo cruciar
O acerado espinho da saudade!

Algés, 1890

+ESPERANÇA+

Fitei o teu retrato tristemente
Cansado do trabalho, sem alento,
O espirito meu n'esse momento
Soffria acerbamente, amargamente.

Comtemplei-o e dei-lhe um beijo ardente
Para desafogar o sofrimento,
Pareceu-me que sorrias, pensamento
Que me passou no cerebro latente.