Entrevejo pois para a archeologia portuguesa este problema: sondar o jazigo de Talabriga, verdadeiro simbolo do nosso sentimento de independencia territorial e figura-se-me que mostrei onde com toda a probabilidade elle se deve encontrar. Espero ter eu mesmo ensejo de averiguar se o simples e frio raciocinio me guiou, sem desvio, até as trincheiras historicas, que occultam os miserandos restos de Talabriga.
Conservar-se-ha ainda evolucionado este toponimo? Responderá o onomastico, paternalmente assistido pela philologia, não se dando o caso mais provavel do verso susodito de Vergilio:
Haec tum nomina erunt, nunc sunt sine nomine terrae!
Março de 1907.
P. S. No mappa do Ortelius, de que me soccorri a pp. 132 e 155, vejo nova Lancobriga, pelo sul de Scalabis; teremos tres? (Ver O Arch. Port., XII, 42).
[[1]] O brasão de Agueda ostenta num lemnisco o mote Aeminium. Mas Coimbra tem hoje uma lapide, quo lhe dá irrecusavelmente o foro de civitas aeminiensis.
[[2]] Um dos autores que se destacam por tentar a determinação de Talabriga e Langobriga (e ainda outras estações da via ab Olisipone Bracaram Augustam) por um processo exacto é o Sr. J. Henriques Pinheiro, fallecido professor do Lyceu de Bragança. Mas talvez em consequencia de trabalhar sobre uma carta (a de Folque) muito reduzida e de se servir da reducção de milhas a leguas, localiza Talabriga em Aveiro e Langobriga na Feira. Em todo o caso, não podendo conciliar as distancias relativas a Langobriga, conclue que ha erro nos Codices (Estudo da Estrada Militar Romana de Braga a Astorga, por J. Henriques Pinheiro, Porto, 1896, p. 129).
[[3]] O Sr. A. Coelho diz que a fórma verdadeira é a de Estrabão, como o prova a moderna Vouga e Vauga dos documentos em baixo latim anteriores ao sec. XII (Mélanges Graux, 1882). Vid. Religiões de Lusitania, II, 28.
[[4]] Nas Noticias Archeologicas de Portugal, de Hübner, trad. do Visconde de Juromenha, vem um extracto do Itinerario segundo a ed. de Parthey & Pinder (1848). Prefiro a lição briga a brica de Wesseling, ed. dos Vetera romanorum Itineraria, MDCCXXXV.
[[5]] Não pude haver á mão as Memorias d'este mesmo senhor.