[[6]] Como preciosidade estrangeira, desejo referir que o aliás eminente celtista D'Arbois de Jubainville, num estudo erudito sobre «Les Celtes en Espagne» (Revue Celtique, XIV, § 8) diz, de passagem, ser Talabriga a actual povoação de Sousa, conc. de Alenquer! Presumo que esta incongruencia é proveniente do que escreveu C. Muller em uma nota da Cl. Ptolemaei Geographia (I, 137) a respeito de Talabriga: Oppidum haud longe a Vouga, fluvio circa, hod. Souza alicubi steterit. Accuratius locum definire non licet. Como ha mais Marias na terra, d'ahi proveio a confusão. Veja-se Sousa a O. de Vagos.

[[7]] Por partes temos:

De Gaia á Feira21:900 metros
Da Feira a Oliveira de Azemeis10:900 metros
De Oliveira de Azemeis a Albergaria18:000 metros
De Albergaria ao rio Vouga6:800 metros
Do rio Vouga a Agueda9:000 metros
De Agueda á Mealhada22:000 metros
Da Mealhada a Coimbra16:500 metros
105:100 metros

[[8]] Escreveu o autor do Portugal Antigo e Moderno que a via romana seguiria pouco mais ou menos o trajecto da linha ferrea. Assim era preciso, se Talabriga fosse Aveiro, quer no troço ao norte, quer no troço para sul, em attenção ás condições topographicas. Neste caso, porém, a distancia de Coimbra a Gaia seria necessariamente pelo menos a que hoje é por aquelle caminho; nada menos de 115 kilometros, o que está bem longe dos 105 kilometros da via romana e da estrada real. Num diagramma da carta indico a differença das distancias entre Cale e Talabriga e Gaia e Aveiro pela via ferrea (45:800 metros e 59:000 metros).

[[9]] No mappa com que documento este estudo, lancei só os elementos que me eram uteis. Tudo o mais ficou no original, a que até accresci alguma cousa a mais por assim convir á minha demonstração.

[[10]] É força porém attentar na exigua differença que no caso presente existe entre a recta, que unisse os dois pontos extremos (Coimbra e Gaia), e o desenvolvimento da distancia effectiva pela estrada real, entre os mesmos pontos. Bem sei que differentes parcellas podem dar a mesma somma, mas difficultoso seria crer que, acertando o Itinerario na distancia total entre Aemiuium e Cale, delinquisse nas parcellas, que vem a ser as tres secções da via militar. Veja-se o diagramma.

[[11]] Pela linha ferrea de Coimbra a Aveiro são 56 kilometros: pelo caminho romano de Coimbra a Talabriga eram 59 kilometros.

[[12]] Nada mais possivel do que um erro de informação de Plinio. Mas poderia tambem haver aqui uma confusão entre a Talabriga do roteiro romano e a Vacua, de que parece existirem ruinas no Cabeço de Vouga (Cit. Oppida restituta, 1885). Mas o Itinerario omitte-a, o que é apenas argumento negativo. Ainda se poderia dar o caso de Vacua não ser mansio do caminho romano. Havia um codice de Plinio que nomeava Talabriga e Vacca e uma cosmographia antiga que refere Vacca (sic) e não Talabriga, que aliás deveria ter conhecido pelos AA.

Jorge Cardoso, no Agiologio, II, 65, quer que Vacua tenha sido em Viseu. Peor!

[[13]] Nos Port. Mon. Hist., «Diplom. & Chart.», vem um documento (n.º 815 do anno de 1095) cujo teor nos não prende, mas onde se lê:.... Ista igitur auctoritate confissus ingressus sum et ego densissimam silliam (silvam) que ab antiquis temporibus habitaculum erat bestiarum.... Trata-se de arredores de Ilhavo.