Karraria antiqua era certamente uma estrada carreteira antiga já naquella epoca e portanto tradicional, mas d'aqui não se póde concluir que essa estrada fosse via militar romana. Assim o doc. n.º 570 do anno 1079 refere-se á freguesia moderna de Paçô, no concelho do Valdevêz (uilla Palatiolo), onde nunca passou via militar e onde a carreira antiqua poderia bem attingir a epoca romana.
Alguns d'estes documentos foram indicados pelo erudito conservador do Archivo Nacional e meu amigo o Sr. Pedro de Azevedo; outros rebusquei-os propositamente com o auxilio do valioso trabalho do Sr. Gama Barros, A administração Publica em Portugal, entre os que pertencem á região de Entre-Vouga-e-Douro.
[[28]] No mesmo pensar encontro-me com o Sr. Alberto Sampaio na Portugalia, II, 216 (As povoas maritimas do norte de Portugal). Assim se exprime: «As unicas povoações, vizinhas do mar, existentes então (no tempo dos romanos), eram Calem e Portucale».
[[29]] É o Sr. Conselheiro Luis de Magalhães, em A arte e a natureza em Portugal, vol. IV. A descrição da ria immensa de Aveiro, com as salinas espelhadas que a cobrem, com os seus cones alvissimos de sal, que marchetam a planicie sem fim, é um d'estes primores de prosa gracil e diaphana, que mais ninguem poderia escrever com igual coração e com pulso comparavel. Parece que a seducção d'esse panorama não me será mais intensa, quando com os olhos o vir, do que quando o adivinhei naquellas tão poupadas paginas.
[[30]] A grandíssima maioria das povoações d'estas epocas era nos altos; ahi tem sido encontrados os seus vestigios. Para a alguma se attribuir situação aberta como a de Aveiro, necessario seria documentar a excepção.
Não repugna absolutamente admitti-la no nosso caso, mas é hypothese pura. E depois, lá temos o distinctivo briga. O nome da cidade comsigo traz a natureza do seu assento. No Algarve, Ossonoba e Balsa, não demoravam em outeiros. (Vide Religiões da Lusitana II, 85).
[[31]] Portugalia, II, 220, «As póvoas marítimas do norte de Portugal», pelo Sr. Alberto Sampaio.
[[32]] Explicação geologica d'estes phenomenos: «C'est après avoir traversé les marécages du Vouga, que l'on entre dans les terrains anciens; ce sont d'abord des schistes luisants, généralement cachés par des dêpots superficiels: sables des dunes, graviers pliocènes et graviers kaoliniques appartenant au Crétacique. Ces derniers ne montent pas plus haut qu'Estarreja et le Pliocène est rarement visible depuis la voie ferrée. Parfois ce soubassement de roches solides n'existe pas, ou du moins ne se trouve qu'à une certaine profondeur au-dessous du niveau de la mer; dans ce cas, la côte subit des alternances d'accroissement et de décroissement qui peuvent être funestes à l'homme trop empressé de s'approprier le terrain que les sables ont gagné sur la mer; tel est le cas à Espinho». Promenade au Gerez (Souvenirs d'un géologue), por Paul Choffat, 1895, p. 1.
[[33]] Poderia aqui investigar-se das alterações da costa que possam ter modificado o aspecto do surgidouro do Vouga. Um apello, publicado no Arch. Port., II, 301, teve em resposta o silencio. Não tratando dos factos de periodos geologicos ou indeterminados (Arch. Port., VII, 274 e X, 193) pouco é o que se tem recolhido e ás vezes antagonico. Açoreamentos em epocas historicas foram notados na Povoa de Varzim, Villa do Conde, Fão, Esposende, Vianna, em Setubal, no Algarve (Portugalia, I e II. passim), e eu mostro que na faixa de Esmoriz a Mira elles se deram tambem em epoca que não posso precisar. Num mappa que illustra o Hisp. & Port., Itinerarium de Martin Zeiler (1656) Aveiro é situada ao norte do Vouga. E não é o unico mesmo de datas mais recentes.
[[34]] Ha um documento do sec. XI que faz uma referencia aproveitavel debaixo d'este aspecto: é o n.º DCCCXV do anno 1095 (doação á sé de Coimbra da igreja de S. Christovam, junto a Ilhavo)... Ista igitur auctoritate confissus ingressus sum et ego densissimam silliamm (silvam) que ab antiquis temporibus habitaculum erat bestiarum...