[[24]] ... por ser tam grande como todos sabẽ, de ~q á prouerbio no pouo. (Ibid. p. 50). Já não é só pois grande a legua da Povoa!
[[25]] O escritor espanhol Eduardo Saavedra, num artigo intitulado «La geografia árabe de Portugal» in Revista Archeologica e Historica, I, 49, suppõe que o trajecto descrito por Edrisi vae de Coimbra a Viseu e Braga «por um caminho muito frequentado», fazendo o primeiro descanso em Avô, 45 kil. a NE. de Coimbra; o segundo em S. Miguel do Outeiro, 10 kil. a O. de Viseu no caminho de S. Pedro do Sul; depois chega-se ao Douro, que se passa em embarcações defronte de uma aldeia, que é Villaboa de Quires, a E. de Penafiel. D'aqui duas jornadas a Braga e outras duas a Tuy.
Salvo o devido respeito, isto parece uma viagem... à vol d'oiseau!
[[26]] Nos Port. Mon. Hist., «Diplom. de Chart.», apparecem mais documentos em que se encontra esta mesma designação. Estes por exemplo:
N.º 67 do anno 953:... et inde per carraria mourisca... (Isto era nas vizinhanças de Villa do Conde).
N.º 614 do anno 1083:... et inde per via maurisca:... (territorio de Arouca).
Póde não se tratar nestes dois documentos de vias militares romanas, como não se trata; mas nem por isso a designação deixa de ser inexacta no seu sentido proprio. Eram antigos caminhos, anteriores aos arabes. Aliás teriamos que admittir que os filhos do Islam andaram por terras de Villa do Conde e de Arouca a abrir estradas em fórma, por serem invios os territorios.
Demonstra isto que os amanuenses do secs. X e XI já não sabiam estremar romanos (e visigodos) de serracenos. Era pois, como hoje, o fallar do povo.
É tambem este o sentimento do Sr. Pedro de Azevedo (Arch. Port., III, 137 sgs.). Este facto é bastante expressivo. Não passára um seculo ainda depois da expulsão dos arabes naquella região, e a interrupção de tradições locaes tinha sido tão intensa que a mera conjectura tomara o logar d'aquellas, attribuindo aos muçulmanos as obras de viação de que elles apenas tiveram a utilidade (Veja-se Hist. de Portugal, por A. Herculano, III, 421). Em França não se dava isto. Ruy de Pina na Chronica do sr. rey D. Affonso V (p. 569) diz: «E na cidade de Nimis leixou El-rey a estrada romam, que vay a Avinham».
[[27]] Seria longo transcrever os trechos respectivos d'esses documentos; e nem sempre é possivel acertar a que especie de caminhos se referem as expressões usadas nos documentos. É commum o termo strada, strata; algumas vezes adjectivada strata ueredaria (Dipl. et Chart., n.º 174) em opposição a alia carrale (id.); estrata de uereda (id. n.º 13); in estrada qui discurrit via de uereda (id. n.º 24) ou strata maiore (id. n.os 563, 378 e 549). Tambem se encontra a expressão carreira antiqua (id. n.os 620 e 639), karraria antiqua (id. n.os 888), carraria antiqua (n.os 639 e 287), carera antiqua (id. n.os 366). Via de strada e strada de uiminaria lêem-se no doc. n.º 817 (ob. cit.) Ainda hoje se póde dizer caminho de estrada. Carreira é termo agora quasi só locativo, mas ainda se ouve no norte applicado ás largas entradas de algumas casas antigas, precedidas de uma alameda plana; certamente carreira inclue a ideia de carro, como carrale. Outra denominação que encontrei foi a de via publica (ob. cit., n.º 676), que parece corresponder a caminho publico.