Os Dorios instituiram no Peloponeso as mesmas fórmas de servidão, e, quando terminaram a conquista da Laconia, dividiram os indigenas, em duas grandes classes de servos: os periecos e os hilotas.
Os periecos tinham-se submettido voluntariamente, e foram-lhes deixadas as suas cidades e uma parte dos campos. Tiveram 30:000 lotes na partilha attribuida a Lycurgo. Pagavam tributo, não tinham direitos politicos; eram, comtudo, de condição livre, e tomavam parte nos jogos olympicos. Dedicavam-se ao trabalho, ao commercio, á industria: teciam ricos mantos de purpura, faziam calçado luxuoso, fabricavam armas magnificas, obras cinzeladas, etc. Houve entre elles alguns artistas muito notaveis. Nos exercitos, formavam as guardas ligeiras; nas armadas eram marinheiros peritos,—e alguns periecos houve que as commandaram, nas guerras maritimas com os Athenienses. Finalmente, os periecos tinham escravos seus para os trabalhos agricolas.
Os hilotas eram verdadeiros escravos; não constituiam uma sociedade áparte e vivendo a sua vida propria, como os periecos. Eram inteiramente submettidos aos Espartanos. Cultivavam as terras, guardavam os rebanhos, trabalhavam nos serviços domesticos, e, na marinha, eram remadores. Desprezavam-n'os, tratavam-n'os barbaramente, chegando a ponto não só de serem açoitados todos os annos para se lhes lembrar a sua abjecção, como tambem de serem caçados e mortos (eryptia), em verdadeiras correrias pelos campos, como bestas-feras. O numero dos hilotas dos dois sexos, que havia na Laconia, elevava-se a 200:000, os quaes juntos com 120:000 periecos formavam uma população dez vezes maior que a dos Espartanos.
Estes ultimos tinham tambem escravos extrangeiros dos dois sexos. O direito de alforria era exclusivo do Estado. Os libertos não eram elevados á categoria de cidadãos; ficavam em differentes condições particulares, com os nomes de epeunactas, cructeros, aphétas, neodamodos, etc.
Em Creta, onde o regimen era o mesmo que em Esparta, incontram-se as mesmas fórmas de servidão: populações submettidas analogas aos periecos; escravos do Estado sob o nome de mnoítas; escravos empregados na cultura dos campos e no serviço dos cidadãos (aphamiotas e clarotas), bem como escravos comprados no estrangeiro.{33}
Incontram-se egualmente, as mesmas fórmas em todas as regiões, onde se estabeleceram os Dorios, taes como nos orneatas e nos gymnetas «homens nus» da Argolida; nos cynophylos «raça de cães» de Corintho; nos conipodos «de pés impoeirados» de Epidauro; nos craulidas de Delphos; nos callicyrios de Syracusa, etc.
Em Athenas o tratamento dado aos escravos era mais benigno, sem comtudo deixarem estes de ser considerados coisas, e, como taes, estavam submettidos ás leis que regem a propriedade.
Havia, tambem nos templos, em diversas cidades da Grecia, bandos de escravas que, com o nome sagrado de hierodulas, eram votadas ao culto de Venus. O templo de Venus, em Corintho, incerrava mais de mil d'essas cortezans, as quaes desfructavam grande consideração publica por concorrerem para a prosperidade da cidade, attrahindo a esta um grande numero de estrangeiros.