A retirada dos Dez Mil foi um dos maiores feitos militares da Antiguidade, e immortalizou duas vezes Xenophonte, como capitão e como historiador. A Anabasis (ou a narrativa da expedição de Cyro «o Moço» contra a Persia e do regresso do exercito grego sob o commando do proprio historiador) é a melhor obra de Xenophonte.

Expedição de Agesiláu.—Os Persas, irritados com os factos que acabamos de narrar, e pretendendo vingar-se, procuraram submetter de novo as cidades jonias do littoral, que eram então tributarias dos Espartanos. Estas pediram auxilio a Esparta, que lhes mandou um exercito, cujas vantagens ao principio foram insignificantes; mas depois mudaram as coisas de feitio quando o rei Agesiláu (398-361) tomou o commando da expedição.

Agesiláu devastou a Phrygia, a Bithynia, a Caria, a Lydia; venceu perto de Sardes (396) o satrapa Tissaphernes, e outros governadores persas em diversos combates; inriqueceu de magnificos despojos os seus soldados. E preparava-se para chegar até ao coração do Imperio pelo caminho traçado pelos Dez Mil, quando recebeu ordem terminante de regressar a Esparta. Eram os Persas que tinham suscitado a Esparta uma guerra no interior da Grecia, e Agesiláu tinha de correr em auxilio da patria ameaçada.

Guerra Corinthia.—Incitada pelo oiro dos Persas, mas principalmente pela tyrannia espartana, Thebas foi a primeira cidade a insurgir-se contra a supremacia de Esparta; com ella se ligaram Corintho, Argos, Athenas, e a Thessalia. Lysandro, que partiu immediatamente para a Beocia, afim de remover o perigo imminente, foi vencido e morto na batalha de Haliarte (395). N'isto chegou Agesiláu, a tempo de ganhar sobre os alliados a batalha de Coronea (394).

A Persia deu ao atheniense Conon uma esquadra phenicia, com a qual foi destruida, em frente de Cnido, a armada lacedemonia. Esparta perdia o dominio do mar, e Athenas concebia{56} a esperança de rehavêl-o, sendo esse o pensamento de Conon. Este restituiu a independencia ás ilhas de Chios, de Lesbos, de Samos, expulsou os governos oligarchicos impostos pelos Espartanos, e, auxiliado pela Persia, effectuou o restabelecimento das fortificações da cidade e do porto de Athenas, e a construcção de mais navios.

A republica atheniense, sentindo-se renascer, inviou Thrasybulo com uma esquadra para reduzir Byzancio, o que elle fez, sendo, porêm, morto na Pamphylia; mas, ao mesmo tempo, Athenas commetteu um grande erro, soccorrendo Evagoras, rei de Chypre, contra os Persas, o que lhe retirou a protecção d'estes, inclinando-os de novo para o lado de Esparta.

Por outro lado, Iphicrates, atheniense, general muito habil, fundou uma tactica nova, servindo-se de soldados armados á ligeira e dando aos hoplitas uma organização e um armamento mais nacionaes. Assim conseguiu derrotar completamente n'um recontro a infantaria, até ahi invencivel, de Lacedemonia.

Esparta atemorizada com as vantagens dos Athenienses, tanto no mar como na terra, negociou com o grande rei o vergonhoso tratado d'Antalcidas.

Paz d'Antalcidas.—Por este tratado (387) foram submettidos aos Persas os Estados Gregos do continente asiatico com a ilha de Chypre, conservadas a Athenas as ilhas de Lemnos, de Imbros e de Scyros, e reconhecidas como independentes umas das outras todas as cidades da Grecia. Argos e Thebas, que se recusavam a obedecer ao tratado, foram a isso constrangidas por Esparta.

Por este tratado, imposto á Grecia por um monarcha extrangeiro, as costas occidentaes da Asia-Menor foram para sempre arrancadas ao dominio hellenico, todas as ligas foram dissolvidas, todas as confederações desmembradas, ficando assim destruidos todos os centros de força e de vida collectiva.{57}