[CAPITULO XI]

DECADENCIA DE ESPARTA. HEGEMONIA DE THEBAS

Pela paz d'Antalcidas tornou a affirmar-se a preponderancia de Esparta, mas por pouco tempo. A orgulhosa cidade, oppressora e despotica, principiou por conquistar e destruir Mantinéa (386) qua se não submettia ao jugo com a exigida complacencia; depois inviou novamente para todas as cidades os seus partidarios aristocraticos, carregando-os de honras e poder. A cidade grega de Olyntho, na Macedonia, formava com outras cidades proximas uma liga, a confederação chalcidica. Os Espartanos prohibiram essa liga como contraria á paz d'Antalcidas.

Os Olinthos não quizeram dissolvêl-a (382); e por isso viram o seu territorio invadido pelos Espartanos que lhes puzéram cêrco á cidade e os obrigaram a submetter-se depois da uma lucta de tres annos.

Em 380, o general lacedemonio, Phebidas, atravessando a Beocia, ligou-se com os chefes do partido aristocratico de Thebas para os ajudar a derrubar o partido democratico, e tomou de surpresa a Cadmea ou a cidadella, com desprezo de todos os direitos. Tres annos depois, Pelopidas surprehendeu a seu turno a Cadmea, libertou-a, e reuniu toda a Beocia n'uma alliança commum (379).

Os Athenienses alliam-se então com as Thebanos, e uns e outros conseguem tirar grandes vantagens contra Esparta, na terra e no mar. Na recontro de Tegyra (375), forças inferiores dos alliados derrotam a temivel infanteria dos Lacedemonios. Um certo numero de ilhas e de Estados maritimos, taes como Chios, Rhodes, Samos, Mitylene, formam uma segunda liga atheniense; a victoria do atheniense Chabrias, proxima de Naxos, em que toda a esquadra espartana foi anniquilada, restituiu a Athenas a supremacia maritima.

Juntamente com Pelopidas dirigia os negocios em Thebas um dos maiores homens da Antiguidade, Epaminondas. Pelopidas tinha estabelecido o batalhão sagrado, corpo em que os guerreiros eram unidos pelos laços da amizade mais apertada; e Epaminondas introduziu uma nova tactica, a ordem de{58} batalha obliqua. Graças aos seus esforços combinados, foram reduzidas á submissão as cidades menores da Beocia e destruidas Thespia e Platéa (374).

Athenas, descontente com o Engrandecimento e a ambição de Thebas, concluiu pazes com Esparta. Thebas foi intimada a dissolver a sua liga recente e a libertar as cidades confederadas. Epaminondas, negando-o formalmente, viu os Lacedemonios invadirem o territorio thebano. Marchou ao incontro d'elles, levando Pelopidas debaixo do seu commando, e derrotou-os completamente na memoravel batalha de Leuctra, na qual terminou todo o prestigio militar dos Espartanos (371).

Epaminondas ingrossou o seu exercito com as forças que lhe inviaram quasi todos os povos do norte da Grecia, atravessou o isthmo de Corintho em 369, penetrou na Laconia, desceu o valle do Eurotas e chegou até á planicie de Esparta a apresentar batalha ao velho rei Agesiláu. Este conservou-se habilmente na defensiva, com as suas tropas em posições fortissimas, d'onde o general thebano não poude desalojál-as. Epaminondas satisfez-se com esta humilhação imposta ao orgulho de Lacedemonia; e, depois de ter devastado toda a Laconia até ao mar, voltou para a Beocia com o seu exercito.

No seu regresso, chamou á liberdade os Messenios, e restituiu aos descendentes dos antigos habitantes o paiz de seus paes, o que fui um golpe mortal para Esparta. Estes conseguem levantar, contra Thebas, Athenas, a Persia e Diniz de Syracusa. Epaminondas invade segunda vez o Peloponeso, mas é forçado a retirar abandonando os seus alliados de Argos e de Mantinéa, os quaes perdem contra Esparta a batalha a que os Espartanos, por não terem perdido n'ella nenhum dos seus homens, ficaram chamando a batalha sem lagrimas.