—Inda mais grã-cruzes, senhor? Mas vejo-me todo pingado d’ellas, não ha ammoniaco já que as saponifique. Ambicionára antes de Vossa Magestade graça de menos vulto.
—Falla pois, disse o monarcha.
—Se Vossa Magestade editasse o meu livro de versos?...
—Que é versos?
—Queixas de intimo e amargo soffrer, volveu o menestrel rolando os olhos mortos, como nas declarações d’amor.
Se uma organisação eleita, como a minha ou a de Vossa Magestade, se surprehende algum dia envenenada por desgostos sem lenitivo, tão grandes que é pouco o mundo para os conter, desanda a versejar fatalmente. Pelo verso, meu senhor e rei, as maguas volatilisam-se da alma, como os perfumes das amphoras, e esvoaçam palpitantes em espiras de musica á região dos nevoeiros.
—Meu Deus, disse o rei. Que necessidade eu tinha de ser poeta! E para o menestrel:
—Fico por editor do livro, a tua ideia encanta-me! Mas como chamal-o?
O poeta ergueu n’um jubilo as duas mãos viscosas: