Jantamos. Mostram-me as habilidades da filhita, que já anda á escola. Descubro um livro, dois livros.
—A Cartilha maternal e os Deveres dos filhos.
Que jubilo, encontrar aqui a mão que tenho tantas vezes apertado, d’esse benemerito tão simples e grande, que todos nós, escrevinhadores de má morte, umas vezes por outras, vamos ouvir ao Salitre, na pequenina casa onde ha creanças loiras tambem, Cartilhas maternaes e Deveres dos filhos!
Em dez lições a creança tem feito prodigios. Vae pela manhãsinha no burro entre dois saccos de farinha, para a aldeia, toda embrulhada no chailito da mãe, os livros n’uma taleiga, lunch na outra, escoltada pelo rapaz e pelo cão. O rapaz cantando ladeira abaixo as imaginosas cantigas que ouve pelos bailaricos; o cão latindo atraz das alveloas e codornizes, que entre regos procuram os bagos de trigo semeado de fresco.
Á tarde volta, faminta e viva, fallando essa linguagem monosyllabica dos anjos, que as mães comprehendem tão bem, e faz rejuvenescer as tremulas avósinhas corcovadas. Despeço-me, e vem tudo á porta para me acenar quando eu fôr longe. Até mais vêr! até mais vêr! Na ribeira, as gallinholas pullulam, segundo me disseram na adega. Até mais vêr, boa gente! Este velho Fortunato é rabugento quando espera, diabo! É preciso estar lá d’aqui a uma hora...
ERRATA
Na [pagina 220], linha 21, onde se lê doenças cerebraes, deverá lêr-se doenças nervosas.