«... Pois que é unico no genero, e o Martyr não poderá brindar os museus do Reino-Unido com outro de egual formato!» resumia elle no meio de um trovão de applausos.
Photographos e pintores vieram piedosamente com suas machinas e cavalletes ao castello de Clifton, reproduzir o singular endurecimento, que tamanhas duvidas provocava.
E vendendo cópias a dois schillings, enriqueciam-se em dia e meio, victoriados nas praças e ruas da grande cidade.
Lord Clifton abria com fidalga generosidade as suas portas, a romeiros e sabios. Fizera emmoldurar um vidro na tampa do cofre de oiro em que se conservava a santa roupa, orgulho de sua casa e alvo das attenções de um grande povo.
—Assim vos curvaes ante o precioso documento do bom rei, dizia o duque do seu fauteuil do parlamento. Que farieis então, se como a sempre chorada mão de meu illustre avô o houvesseis palpado fresco, n’um extasi, chegando-o aos labios para o oscular reverentemente!...
E pelas suas barbas veneraveis e brancas, fios de lagrimas corriam.
Ao fim de um anno de disputas, conferencias grandiloquas, e as mais cathedralescas hypotheses, a grande commissão de sabios recapitulou, que uma de duas:
1.º—Ou no tempo do rei Carlos, reinava como refinada elegancia o fazer-se das pernas braços, e em tal caso o farrapo de Clifton era sem duvida, camisa confeccionada para um decapitado, por não apresentar abertura entre as mangas, podendo-se a malha classificar de sanguinolenta... 2.º—... Ou caso contrario, era um par de ceroulas, e conseguintemente a malha...
Seguia-se um latinorio pudico, para explicar a composição da historica argamassa.
Alarme em toda a linha! Nas bibliothecas choviam archeologos e eruditos, a investigar se de facto constituira prodigio de galanteria europêa no tempo de Carlos, o trazer-se as mãos pelo chão.