Amigo Flores recuou theatralmente.

—C’os diabos! Mas é a anarchia! Mas vão-se lançar no puro nihilismo! Isso sempre eu temi! A soberania popular não quer sangue!—Mas Albano atropellava revelações com revelações, tendo o ártista seguro por um braço, arquejante, magnetisado, escutando por todos os póros.

—E depois, não é tudo, homem. Entrou um navio com armas pela Figueira dentro; Celorico agita-se; Santa Comba diz que não paga; Moita poz barrete phrygio; todo o paiz vae levantar-se como um homem...

—Quando?

—Ámanhã talvez!...

—Bem m’o dizia o Guerra! fez amigo Flores, como se prophecias biblicas viessem de realisar-se.

—Quem viver verá as grandes coisas, ponderou Arthur. Inglaterra jámais nos perdoa. E a Russia, a Austria, Hespanha...

—Hespanha, disse o ártista, com os seus males intestinos...

—Infeliz! fez compungidamente o estudante. Mas coragem! Grevy escrevera a Magalhães, dizendo-lhe contassem com elle; havia mesmo umas certas palavras do presidente Grant...

Emfim, qualquer manhã, a monarchia acordava pela barra fóra, caminho do desterro.