—Então veja se posso amá-lo. Ella estava tão triste!... Talvez não creia: chorei!—Callamo-nos, porque n'aquelle instante, uma voz fresca deu uma risadinha á porta, e as senhoras correram para uma rapariga de branco, que vinha entrando. Era Esther.

—Zebedeu Kebler, meu incomparavel artista, um pouco da sua rabeca, disse ella em voz alta, antes de beijar ninguem.

—Bom sinal! resmunguei ao pobre rapaz.

O judeu deixou-me logo, alegre por ser lembrado, e foi abrir o estojo do instrumento.

—Que ridiculos são estes sentimentos! pensava eu. Apertam-lhes as mãos n'uma estufa e a sós, muito e muito, e desatam a chorar. Grandissimo tolo! Não o pode amar? Fez ella muito bem. Amar um homem que em logar de cobrir de beijos uma mulher lindissima que se rende, fica a tremer, seria uma vergonha: apre! Fui ter com a condessa, enfastiado e murmurando:

—Fosse a cousa commigo...

No dia seguinte, tinha eu acabado a consulta quando chegou Kebler.

—Vem acabar-me a historia de hontem?

—Venho sollicitar a sua presteza de atirador.

—Chegou o theologo? desafiou então um ministro do altar? Barbaro! Cruel! Desalmado!