A enseada do Tejo é que verdadeiramente prendia os meus olhares, vasta, amorosa, em azul pallido, listrada de correntes, e com placas espelhadas d'agua morta. Algum vaporeto passava para Aldegallega ou Barreiro, fumando distrahidamente o seu charuto; alguma falúa ou barco de pesca desfraldava a véla de guião, quadrada, vermelha com a latina á pôpa, e aquelle gesto airoso, ideal, gaivotal, de fender a agua, patinando. Aquillo lembrava em Veneza as travessias para o Lido, sob os esverdeados céus do Adriatico, por uma tarde assim primaveral.

Entanto, por uma escadaria de balaustres, tinhamos descido ao jardim, do seculo XVII, todo em meandros e porticos de buxo, que de resto ha muitos annos ninguem tosquiava, e canteiros adentro mantinha uma desordem d'arbustos sem trato, e hervas bravas crescendo á doida, como nos pouzios da devêza, ao Deus dará.

—E de leitura hespanhola, como vamos? Aventurei varios nomes de modernos: Pio Baroja, Benavente, Rusiñol, Felippe Trigo, Antonio Palomero, Anton del Olmet, Lopez Barbadillo, Ciges Aparicio, Isaac Muñoz, que ella pareceu escutar sem conhecer.

—E Juan Valera? interrogou.

—Conheço.

—Lopez d'Ayala?

—Sim.

—Campoamor, Nuñez d'Arce, Menendez Pelayo...

—Um pouco, um pouco.

—Pereda, Galdós, La Pardo...